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Hidratação: por que a água importa mais quando se come menos

4 min de leitura

Quando se fala em hidratação, a gente costuma pensar só no copo d’água. Mas uma parte da água que o corpo recebe todos os dias chega pela comida: frutas, legumes, sopas, feijão, arroz. No tratamento com um medicamento da classe GLP-1, em que o apetite diminui e os pratos ficam menores, essa parte também cai.

Neste texto, você vai entender por que a água merece mais atenção nessa fase e encontrar ideias simples para manter o hábito ao longo do dia.

A água que vem do prato

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) publicou em 2010 valores de referência para a ingestão de água. Para adultos, a ingestão adequada de água total ficou em cerca de 2,0 litros por dia para mulheres e 2,5 litros por dia para homens, em condições de temperatura amena e atividade física moderada.

Um detalhe importante: esses valores incluem toda a água do dia, a das bebidas e a que vem dos próprios alimentos. Ou seja, quem come bem menos do que antes perde parte dessa contribuição sem perceber, e pode precisar prestar mais atenção ao que bebe.

Esses números são referências para a população, não uma meta individual. A necessidade de cada pessoa muda com o calor, a atividade física, o tamanho do corpo e a saúde. Algumas condições, como certas doenças do coração e dos rins, podem exigir limites de líquidos. Por isso, a quantidade certa para você deve ser conversada com seu médico.

Por que isso importa no tratamento

Os efeitos gastrointestinais, como enjoo, vômitos e diarreia, são comuns no início do tratamento com GLP-1. Além de desconfortáveis, eles fazem o corpo perder líquidos.

A bula americana da semaglutida para controle de peso inclui um alerta sobre lesão renal aguda associada à perda de volume de líquidos, e orienta os médicos a acompanhar a função dos rins de quem relata efeitos que podem levar a essa perda. É um evento pouco frequente, mas mostra por que vale cuidar da hidratação, principalmente nos dias de sintomas gastrointestinais.

Sinais de que pode estar faltando água

Fique atento a sinais como:

  • sede intensa ou boca muito seca;
  • urina escura ou em pouca quantidade;
  • tontura, principalmente ao levantar;
  • cansaço fora do comum;
  • dor de cabeça sem outra explicação.

Se você está com vômitos ou diarreia e não consegue manter os líquidos, ou se esses sinais aparecem e não melhoram, procure seu médico.

Ideias para beber água ao longo do dia

Com o estômago mais sensível, grandes volumes de uma vez podem incomodar. Costuma funcionar melhor espalhar a água ao longo do dia:

  • Tenha uma garrafa sempre por perto. Na mesa de trabalho, na bolsa, no carro. Ver a garrafa já lembra de beber.
  • Beba em pequenos goles. Vários goles ao longo da hora pesam menos do que um copo grande de uma vez.
  • Use lembretes. Um alarme no celular ou associar o copo d’água a momentos fixos, como ao acordar, antes de sair de casa e depois do banho.
  • Varie o sabor. Rodelas de limão, laranja ou pepino, ou folhas de hortelã deixam a água mais interessante.
  • Chás sem açúcar também contam. Se forem com cafeína, como chá-preto e mate, vale não exagerar.
  • Vá com calma nas bebidas com gás. Elas podem aumentar o desconforto em quem está com o estômago sensível.

Alimentos que também hidratam

Mesmo com o apetite menor, dá para escolher alimentos que somam água:

  • Frutas como melancia, melão, laranja e abacaxi;
  • Legumes e verduras, crus ou cozidos;
  • Sopas e caldos, que ainda podem levar feijão, lentilha ou frango desfiado para somar proteína;
  • Iogurte natural, que traz líquido e proteína ao mesmo tempo.

Água e refeições

Algumas pessoas sentem o estômago cheio mais rápido quando bebem muito líquido junto com a comida. Se for o seu caso, experimente beber mais nos intervalos entre as refeições e menos durante o prato. Assim sobra espaço para a comida, especialmente para a proteína, sem deixar a hidratação de lado.

Acompanhar ajuda

Anotar quanto você bebe por alguns dias costuma revelar um padrão: muita gente se surpreende com o pouco que bebe nos dias corridos. Registrar a água junto com as refeições e os sintomas também ajuda a perceber se os dias de enjoo coincidem com os dias de menos líquido, uma informação útil para levar à consulta.

Água parece um detalhe, mas é um daqueles cuidados simples que fazem diferença no dia a dia do tratamento.

Fontes

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